Diferenças de Aprendizagem Autodeterminada em Estudantes de Pós-Graduação: Uma Análise Relacionando Grupo de Idade e Gênero ao Uso de Estratégias

Raimundo Nonato Lima Filho, Silvia Pereira de Castro Casa Nova

Resumo


Objetivo: as discussões sobre a teoria da Autodeterminação têm sido mais frequentes ultimamente no campo da educação. Essa teoria destaca a importância da motivação dos estudantes como fonte de satisfação imediata nas tarefas acadêmicas. O objetivo deste estudo é explorar e analisar o Questionário de Estratégias Motivadas de Aprendizagem (MSLQ), validado por Modelagem de Equações Estruturais e, adicionalmente, verificar se idade ou gênero afetam o nível de aprendizagem autorregulada dos alunos de mestrado e doutorado no Brasil.

Método: o modelo operacional da pesquisa delineou a formulação de duas hipóteses, argumentando pela influência das variáveis “idade” e “gênero” nos Níveis de Autodeterminação (SDT) dos participantes do estudo.

Resultados: essas hipóteses, porém, não foram suportadas pelos resultados da análise multivariada dos dados, o que é um diagnóstico interessante, dado que as variáveis estudadas não indicaram relevância estatisticamente significativa. Esses resultados sugerem que outras variáveis – tais como em que ponto no curso estão ou em que tipo de instituição de ensino estão estudando – devem ser analisadas.

Contribuições: limitações importantes desta pesquisa podem ser vistas como oportunidades para futuras pesquisas: a amostra foi retirada de um público específico; a pesquisa pode exibir um viés de métodos comuns; e houve baixa participação de estudantes de mestrado profissional. Estudos futuros podem adotar diferentes estratégias metodológicas e/ou envolver amostras mais diversas ou acompanhar os alunos por mais tempo. Como implicações práticas, as descobertas empíricas podem ajudar professores, estudantes, pesquisadores, instituições de ensino e programas de pós-graduação a compreenderem os aspectos da aprendizagem autodeterminada que caracterizam estudantes de mestrado e doutorado em Contabilidade.

Palavras-chave


Estudo autodeterminado; Educação Contábil; Motivação

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DOI: http://dx.doi.org/10.17524/repec.v11i4.1535

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