Quem quer ser coordenador? Sucessão e desafios na liderança de programas de pós-graduação em Contabilidade no Brasil
A sucessão em cargos de liderança acadêmica tem se consolidado como um desafio estratégico para a sustentabilidade dos programas de pós-graduação no Brasil. Nesse contexto, o estudo de Queiroz, Cunha e Durço oferece uma contribuição relevante ao analisar, de forma aprofundada, como ocorre a transição de liderança na coordenação de programas de pós-graduação stricto sensu em Contabilidade.
Os resultados da pesquisa indicam que, embora a sucessão seja um processo inevitável, ela ainda ocorre, na maioria dos casos, de maneira informal e pouco planejada. A ausência de estruturas formais, como planos de sucessão e programas de preparação de lideranças, dificulta a continuidade das atividades e aumenta a dependência de iniciativas individuais.
Um dos principais achados do estudo é a existência de barreiras significativas à formação de novos líderes acadêmicos. Entre elas, destacam-se o excesso de trabalho associado à função de coordenação, a falta de incentivos institucionais e a percepção de que os custos do cargo superam seus benefícios. De acordo com os dados apresentados, aspectos como sobrecarga, burocracia e responsabilidades administrativas contribuem para a baixa atratividade da função.
Além disso, o artigo evidencia a importância de práticas como a formação de bancos de talentos, a preparação antecipada de potenciais sucessores e o desenvolvimento de mecanismos de transição mais estruturados. A analogia com a “corrida de revezamento”, utilizada no estudo, reforça a ideia de que a sucessão eficaz depende de planejamento, comunicação e cooperação entre o coordenador atual e seu sucessor, garantindo a continuidade da gestão .
Outro ponto relevante refere-se à necessidade de maior institucionalização do processo de sucessão, com definição clara de critérios, identificação de lideranças potenciais e criação de condições que incentivem a participação dos docentes na gestão dos programas.
Ao trazer evidências empíricas sobre um tema ainda pouco explorado na literatura contábil, o estudo contribui para o fortalecimento da governança acadêmica e para a sustentabilidade dos programas de pós-graduação em Contabilidade no Brasil.
A REPeC parabeniza os autores pela relevância e qualidade do trabalho e convida toda a comunidade acadêmica e profissional a conhecer este importante estudo.