Agressividade tributária e risco empresarial: como o desempenho da empresa interfere?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17524/repec.v20.e3880

Palavras-chave:

Agressividade Tributária, Risco empresarial, Desempenho da empresa

Resumo

Objetivo: Analisar a relação entre a agressividade tributária e o risco empresarial e verificar se o desempenho da empresa é capaz de moderar essa relação.

Método: O estudo analisou empresas brasileiras listadas na Brasil, Bolsa, Balcão (B3) entre 2010 e 2023, por meio de amostra não probabilística, composta de empresas com dados disponíveis e enquadradas nos critérios de seleção. A amostra final reuniu 215 empresas e 1.267 observações, em painel não balanceado. A análise estatística utilizou regressões lineares múltiplas pelo método dos mínimos quadrados ordinários (MQO) para dados em painel com efeitos fixos e erros padrão robustos Driscoll-Kraay.

Resultados e contribuições: Os resultados indicam que menores valores de ETR e Cash ETR, interpretados como maior agressividade tributária, associam-se a maior risco empresarial. O desempenho modera essa relação de forma condicionada à proxy utilizada: nas regressões com ETR, o ROA acentua a associação entre menores taxas efetivas e maior risco, enquanto o BTM reduz a intensidade dessa associação, nas regressões com Cash ETR, as interações não apresentaram significância estatística. A análise adicional do período pré-pandemia revelou inversão dos sinais dos coeficientes, achado que deve ser interpretado como evidência exploratória de sensibilidade temporal, e não como estudo de evento. O estudo contribui ao evidenciar, no contexto brasileiro, que a relação entre agressividade tributária e risco empresarial depende da proxy tributária e da métrica de desempenho adotadas.

Traduções deste artigo

Referências

Adela, V., Agyei, S. K., & Peprah, J. A. (2023). Antecedents of tax aggressiveness of listed non-financial firms: evidence from an emerging economy. Scientific African, 20, e01654, 1–14. https://doi.org/10.1016/j.sciaf.2023.e01654

Amri, K., Ben Mrad Douagi, F. W., & Guedrib, M. (2023). The impact of internal and external corporate governance mechanisms on tax aggressiveness: evidence from Tunisia. Journal of Accounting in Emerging Economies, 13(1), 43–68. https://doi.org/10.1108/JAEE-01-2021-0019

Arpini, P. C., Ritter, P. C., & Piccoli, M. R. (2020). Influência da agressividade tributária no desempenho das empresas listadas na B3. In Anais do 20º USP International Conference in Accounting. São Paulo, SP, Brasil. https://congressousp.fipecafi.org/anais/20UspInternational/ArtigosDownload/1959.pdf

Athira, A., & Ramesh, V. K. (2023). Covid-19 and corporate tax avoidance: international evidence. International Business Review, 32(4), 1–21. https://doi.org/10.1016/j.ibusrev.2023.102143

Badertscher, B. A., Katz, S. P., Rego, S. O., & Wilson, R. J. (2019). Conforming tax avoidance and capital market pressure. The Accounting Review, 94(6), 1–30. https://doi.org/10.2308/accr-52359

Bai, Y., Zhang, L. Y., & Wang, L. (2024). The moral licensing effects of corporate reputation on tax planning. Review of Pacific Basin Financial Markets and Policies, 27(2), 2450016. https://doi.org/10.1142/S0219091524500164

Bauer, T., Kourouxous, T., & Krenn, P. (2018). Taxation and agency conflicts between firm owners and managers: a review. Business Research, 11(1), 33–76. https://doi.org/10.1007/s40685-017-0054-y

Bergamann, D. R., Bertocchi, L. P., Silva, R. F. da, Fully, R. M. P., & Martins, V. F. (2022). Agressividade tributária e o risco de mercado das firmas no Brasil. Gestión Joven Revista de la Agrupación Joven Iberoamericana de Contabilidad y Administración de Empresas (AJOICA), 23(1), 46–57. https://gestionjoven.org/revista/contenidos_23_1/Vol23_num1_3.pdf

Billor, N., Hadi, A. S., & Velleman, P. F. (2000). BACON: blocked adaptive computationally efficient outlier nominators. Computational Statistics & Data Analysis, 34(3), 279–298. https://doi.org/10.1016/S0167-9473(99)00101-2

Bispo, J., Barbosa, T. A., & Cerqueira, A. J. F. de. (2024). Relação entre estrutura de capital e agressividade tributária em empresas de capital aberto do Brasil. Revista de Contabilidade e Organizações, 18, e227036. https://doi.org/10.11606/issn.1982-6486.rco.2024.227036

Bougacha, F., & Guedrib, M. (2024). Corporate tax avoidance and firm risk: what role does firm performance play? Journal of Accounting and Management Information Systems, 23(2), 381–411. https://doi.org/10.24818/jamis.2024.02005

Brühne, A. I., & Schanz, D. (2022). Defining and managing corporate tax risk: perceptions of tax r i sk experts. Contemporary Accounting Research, 39 (4), 2861–2902. https://doi.org/10.1111/1911-3846.12785

Burman, V. L., Mättö, M., Niskanen, M., & Ojala, H. (2023). How does corporate governance affect tax aggressiveness? Evidence from Finland. Nordic Journal of Business, 72(2), 89–106. https://njb.fi/wp-content/uploads/2023/11/1_Burman_et_al.pdf

Cao, Y., Feng, Z., Lu, M., & Shan, Y. (2021). Tax avoidance and firm risk: evidence from China. Accounting & Finance, 61(3), 4967–5000. https://doi.org/10.1111/acfi.12769

Chen, S., Chen, X., Cheng, Q., & Shevlin, T. (2010). Are family firms more tax aggressive than non-family firms? Journal of Financial Economics, 95(1), 41–61. https://doi.org/10.1016/j.jfineco.2009.02.003

Dantas, R. F., Anjos, L. C. M. dos, Rêgo, C. J. F. N., & Lagioia, U. C. T. (2022). As implicações do risco tributário e da agressividade tributária sobre o custo de capital de terceiros nas empresas listadas na B3. Qualitas Revista Eletrônica, 22(2), 16–34. https://doi.org/10.18391/req.v22i2.5925

Driscoll, J. C., & Kraay, A. C. (1998). Consistent covariance matrix estimation with spatially dependent panel data. Review of Economics and Statistics, 80(4), 549–560. https://doi.org/10.1162/003465398557825

Fávero, L. P., & Belfiore, P. (2017). Manual de análise de dados: estatística e modelagem multivariada com Excel, SPSS e Stata. Elsevier.

Gil, N. dos S., Theiss, V., & Dalcero, K. (2023, September 18–20). Efeito da Covid-19 na relação da agressividade tributária e desempenho futuro das empresas listadas da B3 S/A. In 13º Congresso UFSC de Controladoria e Finanças, 6º UFSC International Accounting Conference & 13º Congresso UFSC de Iniciação Científica em Contabilidade. Florianópolis, SC, Brasil. https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/253450/Artigo_BU_Nathalia_dos_Santos_Gil.pdf?sequence=1

Guedrib, M., & Bougacha, F. (2024). The moderating effect of tax risk on the relationship between tax avoidance and firm risk: empirical evidence in the French context. International Journal of Law and Management, 66(4), 468–495. https://doi.org/10.1108/IJLMA-06-2023-0140

Guenther, D. A., Matsunaga, S. R., & Williams, B. M. (2017). Is tax avoidance related to firm risk? The Accounting Review, 92(1), 115–136. https://doi.org/10.2308/accr-51408

Hanlon, M., & Heitzman, S. (2010). A review of tax research. Journal of Accounting and Economics, 50(2–3), 127–178. https://doi.org/10.1016/j.jacceco.2010.09.002

Hartmann, C. F., & Martinez, A. L. (2020). Tax aggressiveness and Big4 audit firms. REUNIR Revista de Administração, Contabilidade e Sustentabilidade, 10(3), 37–46. https://doi.org/10.18696/reunir.v10i3.843

Henry, E., & Sansing, R. (2018). Corporate tax avoidance: data truncation and loss firms. Review of Accounting Studies, 23(3), 1042–1070. https://doi.org/10.1007/s11142-018-9448-0

Hoopes, J. L., Langetieg, P. T., Maydew, E. L., & Mullaney, M. S. (2024). Are private firms more aggressive tax planners? The Accounting Review, 99(4), 197–223. https://doi.org/10.2308/TAR-2020-0499

Hutchens, M., & Rego, S. O. (2015). Does greater tax risk lead to increased firm risk? (SSRN Working Paper No. 2186564). Social Science Research Network. https://doi.org/10.2139/ssrn.2186564

Hutchens, M., Rego, S. O., & Williams, B. (2024). Tax avoidance and firm risk: new insights from a latent class mixture model. The Accounting Review, 99(1), 285–313. https://doi.org/10.2308/TAR-2020-0343

Imhof, M. J., & Seavey, S. E. (2014). Corporate risk-taking, firm value and high levels of managerial earnings forecasts. Advances in Accounting, 30(2), 328–337. https://doi.org/10.1016/j.adiac.2014.09.004

Jensen, M. C., & Meckling, W. H. (1976). Theory of the firm: managerial behavior, agency costs and ownership structure. Journal of Financial Economics, 3(4), 305–360. https://doi.org/10.1016/0304-405X(76)90026-X

Kanagaretnam, K., Lee, J., Lim, C. Y., & Lobo, G. J. (2018). Cross-country evidence on the role of independent media in constraining corporate tax aggressiveness. Journal of Business Ethics, 150(3), 879–902. https://doi.org/10.1007/s10551-016-3168-9

Kobbi-Fakhfakh, S., & Bougacha, F. (2023). The impact of the Covid-19 pandemic on corporate tax avoidance: evidence from S&P 500 firms. Journal of Financial Reporting and Accounting, 21(4), 847–866. https://doi.org/10.1108/JFRA-06-2022-0216

Downloads

Publicado

06-11-2026

Como Citar

Barbosa, T. A., Bispo, J. de S., & Borinelli, M. L. (2026). Agressividade tributária e risco empresarial: como o desempenho da empresa interfere?. Revista De Educação E Pesquisa Em Contabilidade (REPeC), 20. https://doi.org/10.17524/repec.v20.e3880